A Tiróide dói?

tiroide

O que é esta glândula?
A tireóide é uma glândula que fica na frente do pescoço (região anterior) e tem um formato parecido com o de uma borboleta. Posiciona-se em cima da traquéia, com um lobo de cada lado, unidos pelo istmo. É responsável por produzir hormônios que participam do controle da velocidade do metabolismo, influenciam o desenvolvimento do corpo e a atividade do sistema nervoso.

 

O Hipotireoidismo (falta de hormônio da Tireóide)  e o Hipertireoidismo (excesso de hormônio da Tireóide) normalmente não causam dor e geralmente estão associados a um processo crônico de inflamação da glândula, relacionado com a produção de autoanticorpos, anticorpos que produzimos contra tecidos do próprio organismo, como o AntiTPO e o TRAB.

Porém, existem doenças menos comuns que podem causar dor na região da Tiréoide, são as chamadas Tiroidites aguda e subaguda.

Saiba mais:

 

A Tiroidite aguda é  mais rara e geralmente causada por bactérias. Normalmente, é acompanhada de febre e dor intensa na região, com sinais flogísticos, como vermelhidão, dor que piora à palpação e aumento da temperatura local na pele.  O diagnóstico é conformado com exames de sangue e Ultrassonografia da Tireóidec com punção que mostra o processo purulento. O Tratamento é feito com analgésicos e terapia antibiótica ou antifúngica de acordo com  o patógeno identificado.

 

Já a Tiroidite Subaguda ou Tiroidite  De Quervain é uma inflamação dolorosa da tireoide, de provável etiologia viral. É mais comum em mulheres de 30 a 50 anos e, em geral, ocorre após um quadro de infecção viral respiratória.

A tireoidite subaguda começa com dor na região anterior do pescoço, podendo haver febre  ou não. A tireoide é  dolorosa ao toque e pode estar aumentada. Há uma inflamação de toda a glândula e destruição dos folículos da tireoide, onde o hormônio tireoideano fica armazenado. Com isso, há excesso de hormônios na corrente sanguínea e pode haver um quadro de hipertireoidismo, com duração de 2 a 4 semanas. Após essa fase, com a diminuição dos níveis hormonais no sangue, há normalização dos exames de dosagem hormonal e melhora dos sintomas. Mas, como a glândula foi lesada, ainda pode haver evolução para hipotireoidismo até que a produção dos hormônios seja normalizada, o que pode levar meses.

A evolução clássica, então, divide-se em 4 fases:

  1. Fase dolorosa aguda com tireotoxicose (Hipertireoidismo, ou seja, níveis aumentados de Hormônios da Tiróide)
  2. Eutireoidismo (níveis normais de hormônios da Tiróide)
  3. Hipotiroeidismo (níveis reduzidos de hormônios da Tiróide)
  4. Eutireoidismo (íveis normais de hormônios da Tiróide)

O diagnóstico é primariamente clínico, baseado no achado de aumento e dor na tireoide em pacientes com história clínica compatível. Em geral realizam-se exames da tireoide, com medida de TSH e, pelo menos, de T4 livre. Para confirmar o diagnóstico, pode-se medir a captação de I131. Quando o diagnóstico for incerto, a biopsia por punção da tireoide com agulha fina é útil. Ultrassonografia de tireoide com Doppler colorido mostra redução do fluxo sanguíneo, em contraste com o aumento de fluxo na doença de Graves. Os achados laboratoriais iniciais na doença incluem aumento de T4 e T3livres, diminuição do TSH e da captação de I131 pela tireoide (em geral 0) e VHS elevado.

Prognóstico:

A tireoidite subaguda é autolimitada, em geral desaparecendo em alguns meses; às vezes, reincide e pode causar hipotireoidismo permanente, quando a destruição folicular é extensa.

Tratamento:

Em geral com antiinflamatórios não hormonais, e analgésicos; às vezes, é necessário o uso de prednisona na fase inicial.

Sintomas incômodos e transitórios do hipertireoidismo podem ser tratados com β-bloqueador de curta duração. A fase de hipertireoidismo é auto-limitada e não é necessário o uso de medicamentos antitireoideanos, usados nos outros casos de hipertireoidismo.

Se o hipotireoidismo for pronunciado ou persistir, reposição hormonal da tireoide pode ser necessária, raramente de forma permanente.

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Dra Regina Diniz-   Endocrinologista (CRM 97465-SP) pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, especialista em Endocrinologia e Metabologia pela SBEM e Diretora Médica da Clínica Conectada Doutor Recomenda

www.doutorrecomenda.com.br

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